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"É bom que você entenda que arte - e aqui me refiro especificamente à música - não é uma questão de gosto. Temos de exercitar nossa compreensão, ou seja, é preciso que nosso entendimento emocional seja bem desenvolvido, através da nossa sensibilidade"

Olmir Stocker "Alemão"

Um Pôr-do-Sol com Heraldo do Monte

Heraldo do Monte é um exemplo de que com os anos veio a sabedoria..

Heraldo do Monte é um exemplo de que com os anos veio a sabedoria. Digo a sabedoria ao tocar, não tem nota sobrando, tudo o que está lá tem sua razão de estar. Os anos que passou tocando tudo que encontrasse pela frente, sem recusar trabalho, além do convívio com outros Mestres da música, fizeram com que acumulasse muita informação musical. Misturando estilos, da música Regional, pasasando pela música popular e o Jazz , filtrados na convicção pessoal do músico, resultaram numa música  madura , não só no sentido da passagem do tempo mas já com todos os atributos da grande Arte.

Ao focar nos ritmos nordestinos e fugir da influência dos guitarristas de fora, Heraldo se consolida como um expoente da Guitarra Brasileira. Nesse disco “Guitarra Brasileira”(2004) em que suas composições captam as características de cada região brasileira, tão diversas em ritmos e particularidades, destaco a faixa Pôr-do-Sol em Boa Viagem. Com um timbre caloroso, com pouco ou nenhum efeito entre o sinal da guitarra até o amplificador, o timbre é tirado na” mão”. Com um solo de enorme bom gosto, transmite a paz que o título sugere. Com um vocabulário rico em fraseado, ora ligando, ora palhetando mas sempre resolvendo de forma a manter a atmosfera da música, Heraldo escancara a riqueza de nossa música.

Me recordo ainda adolescente adquirindo o disco “Cordas Vivas” na Loja Baratos Afins no Centro de SP, um nova janela de possibilidades para o instrumento se abriu, pensei:

“O cara é o Mclaughlin do Sertão, criando uma textura densa no uso das cordas” (Ouçam “Teia de Aranha e Mordida de Abelha”).

Depois desse disco, abri meus olhos para o som do Heraldo do Monte.

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João Carlos Fávaro

João Carlos Fávaro

Produtor Executivo (BIM – Vinil Review – Na Agulha do Vinil) Dos meus discos de Vinil acumulados em muitos anos de garimpagem em lojas, feiras e recentemente pela internet e acreditar no poder transformador da música, é que resolvi criar esse projeto de divulgação e valorização da música e de quem faz a música. Atrás de um grande álbum tem toda uma história de dedicação de pessoas. Do músico que passou anos se dedicando ao seu instrumento, do Produtor, do Engº de som, enfim.... teve a contribuição de muita gente. Comecei com uma ideia e a disposição de tirá-la do papel, daí surgiram os projetos Vinil Review de qual sou cofundador, Na Agulhado Vinil e agora o BIM. Só consegui isso pela dedicação e amor pela música de nossos parceiros.

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