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"É bom que você entenda que arte - e aqui me refiro especificamente à música - não é uma questão de gosto. Temos de exercitar nossa compreensão, ou seja, é preciso que nosso entendimento emocional seja bem desenvolvido, através da nossa sensibilidade"

Olmir Stocker "Alemão"

Tony Williams. Mr. Tony

Tive a oportunidade de assistir Tony ao vivo em um workshop e show no Macksoud Plaza em São Paulo, na década de 90.

Tony Williams é um dos principais bateristas da História do instrumento. Mudou a linguagem dos tambores e participou da transição do principal movimento da História do Jazz, a fusão do Jazz com o Rock, o Pop, o Jazz Fusion, ao lado do trompetista Miles Davis em sua extensa discografia. Começou tocando com o Mestre aos 17 anos. Contam a história que  o dono de um jazz bar nos USA reclamou da intensidade sonora do baterista e Miles não teve dúvida, foi embora da casa com sua banda.

Williams era um elemento vital do grupo, considerado por Davis em sua autobiografia como “o centro em que girava o som do grupo“. Suas interpretações criativas ajudaram a redefinir o papel da seção rítmica do jazz através do uso de polirritmias com muita originalidade e assinatura.

Williams nasceu em Chicago e cresceu em Boston. Tinha ascendência africana, portuguesa e chinesa. Estudou com o baterista Alan Dawson.

Williams participou da vanguarda do Jazz na década de 1960, tocando como prodígio desde os seu 13 anos com Jackie MaClean, Sam Rivers, Eric Dolphy, entre outros. Seu primeiro álbum como líder, foi o “Life Time” de 1964, já ouviu? Fundamental!

Em 1969, formou um trio, Tony Williams Lifetime, com John McLaughlin na guitarra e Larry Young no órgão. Lifetime era uma banda pioneira do movimento Fusion , uma combinação de Rock, R & B e Jazz. Seu primeiro álbum foi “Emergency”.  Em 1975, Williams reuniu nova banda a “The New Tony Williams Lifetime”, com o baixista Tony Newton, o pianista Alan Pasqua e o guitarrista inglês Allan Holdsworth. O trabalho “Believe It” é excelente. O trabalho “The Old Bum’s Rush”, de 1972, é meu preferido, está no meu celular, maravilhoso.

 

 

Em 1979, Williams, McLaughlin e baixista Jaco Pastorius se uniram para uma performance única no Havana Jazz Festival. Este trio passou a ser conhecido como o Trio of Doom , uma poderosa combinação, formação onde a improvisação era constante

Seu último trabalho solo “Wilderness”, de 1996, também é antológico. Ouça Já, rs.

Tony assinava as composições e arranjos com a utilização da linguagem erudita, com o uso de instrumentos da orquestra sinfônica.

Tony Willians faleceu jovem com 51 anos de ataque cardíaco após cirurgia de vesícula biliar. Viveu de 1945 a 1997.

No meio “baterístico”, tenho certeza que Tony Willians sempre estará entre os 5 maiores bateristas de todos os tempos.

Tive a oportunidade de assistir Tony ao vivo em um workshop e show no Macksoud Plaza em São Paulo, na década de 90. No workshop, ele disse para começarmos com as perguntas antes dele começar a tocar e eu fui logo levantando a mão e perguntando: “- Mr. Tony, aqui no Brasil não temos acesso a métodos de estudo para Bateria, o Sr. poderia dar uma dica?”. Ele respondeu na lata: “Eu não acredito em Métodos” e ficou quieto, deixando uns 10 segundos de silêncio no ar com a cara amarrada. Foi quando o Laurão Lellis soltou essa: “- Que cara bravo, deve ter brigado com a mulher”. Foi um riso geral. O tradutor ficou sem graça, não traduziu a piada e a fera ficou sem saber o que fazer, mas fez: sentou na batera e tocou durante uma hora sem parar, detonou, uma intensidade incrível. E levantou-se e foi embora, deixando todos incrédulos. Queria muito um autógrafo dele. Fiquei na porta do elevador do Hotel esperando ele descer para assinar minha pele de bateria. Depois de algumas horas “apareceu a margarida” e me assinou. Ídolo.

Duda Neves

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Duda Neves

Duda Neves

Nascido Eduardo Augusto Neves, em 5 de Novembro de 1953 em São Paulo, Capital, é reconhecido pela crítica especializada e pelo público em geral, como um de nossos melhores instrumentistas. A revista francesa “Jazz Hot” o apontou em 1990 como um dos melhores bateristas de Jazz do mundo e a revista “Bizz” como um de nossos melhores bateristas. Toca Bateria profissionalmente desde os 12 anos de idade já tendo trabalhado com Simone, Belchior, Fábio Jr., Jorge Benjor, Tetê Espíndola, Tim Maia, João Donato, Edu Lobo, Arrigo Barnabé entre outros. Morou em Nova York nos Estados Unidos na década de 80 onde tocou com grandes nomes do Jazz como Charlie Rouse, Don Salvador, Dom Um Romão, Nana Vasconcelos, Raul de Souza, Guilherme Vergueiro, Márcio Montarroyos, entre outros.

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