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"É bom que você entenda que arte - e aqui me refiro especificamente à música - não é uma questão de gosto. Temos de exercitar nossa compreensão, ou seja, é preciso que nosso entendimento emocional seja bem desenvolvido, através da nossa sensibilidade"

Olmir Stocker "Alemão"

Discos de Cabeceira – Bill Evans “Undercurrent”

A capa do disco Undercurrent é uma foto de Toni Frissell -WEEKI WACHEE SPRING, FLORIDA (1947).

Aproveitando-se do título do álbum de Frank SinatraIn the Wee Small Hours“, Undercurrent é o disco para “essas horas“. Tanto Bill Evans, quanto Jim Hall admiravam a música de câmera e tinham a vivência nesse tipo de música, Bill com seu inigualável trio com Paul Motian e Scott La Faro e Jim no intimista Jimmy Giuffre’s trio. Alguns críticos querem encaixar  esse disco como Chamber Jazz  Music mas a impressão é que a música flutua, é leve, vaga pelo espaço. Querer espremer a música para dentro de um estilo sempre a reduz. A  música de Undercurrent é etérea, sublime e misteriosa como a foto da capa.

O disco foi lançado em 1962, somente um ano após a morte de Scott Lafaro ( baixista no trio de Bill Evans que morreu tragicamente num acidente de carro somente 10 dias após a gravação do histórico  àlbum “Sunday at the Village Vanguard ), fato que abalou muito o pianista e que  talvez ele nunca tenha superado. Esse sentimento de perda também permeia algumas faixas do disco.

Existe uma fórmula para que dois músicos tenham uma sinergia, uma empatia e um entrosamento tão perfeitos, um completando e destacando as qualidades do outro? Uma conversa espontânea, relaxada, utilizando-se das pausas para criar ainda mais ambiência ? Acho que a resposta está no imponderável.

O disco abre com My Funny Valentine com o piano e a guitarra num abraço intrincado fazendo o tema, destaque para os acordes sincopados de Bill Evans segurando para a guitarra e depois o solo de piano que mostra uma versão mais nervosa do que estamos acostumados a ouvir nas interpretaçãoes dessa balada  composta por Richard Rodgers e Lorenz Hart

I Hear a Rhapsody é lenta, com poucas notas certeiras e carregada de emoção, vou usar uma parte da letra de uma música do Tom Waits que define bem como essa canção me atinge. ‘Cause every time I hear that melody, well, something breaks inside”. Dream Gypsy começa com aqueles acordes mágicos do Bill Evans, o lugar onde ele vai buscá-los me intriga. Romain é daqueles temas que dão um aperto no coração de tão bonito, Bill Evans faz uma harmonia misteriosa ao fundo para o solo da guitarra, logo em seguida os instrumentos seguem dialogando. O final da música é imponente e glorioso em sua simplicidade.

Skating in Central Park realmente passa a impressão de um Domingo no parque,no entanto,um dia nublado. Ainda sim, é a faixa do álbum mais afável. Darn that Dream encerra o àlbum originalmente lançado em vinil com 6 faixas. Em outras reediçoes em CD, foram adicionados os bónus: Stairway to the Stars, I’m Getting Sentimental Over You, My Funny Valentine [Alternate Take], Romain [Alternate Take].

O disco é comovente mas sem sentimentalismos, definitivamente um marco na discografia do Jazz e uma obra de arte. Uma referência para muitos músicos.

O Duo viria a gravar novamente em 1966 com o àlbum “Intermodulation

A capa do disco Undercurrent é uma foto de Toni Frissell –WEEKI WACHEE SPRING, FLORIDA (1947).

Toni Frissell, or Antoinette Frissell Bacon, (March 10, 1907 – April 17, 1988) was an American photographer, known for her fashion photography, World War II photographs, and portraits of famous Americans, Europeans, children and women.

 
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João Carlos Fávaro

João Carlos Fávaro

Produtor Executivo (BIM – Vinil Review – Na Agulha do Vinil) Dos meus discos de Vinil acumulados em muitos anos de garimpagem em lojas, feiras e recentemente pela internet e acreditar no poder transformador da música, é que resolvi criar esse projeto de divulgação e valorização da música e de quem faz a música. Atrás de um grande álbum tem toda uma história de dedicação de pessoas. Do músico que passou anos se dedicando ao seu instrumento, do Produtor, do Engº de som, enfim.... teve a contribuição de muita gente. Comecei com uma ideia e a disposição de tirá-la do papel, daí surgiram os projetos Vinil Review de qual sou cofundador, Na Agulhado Vinil e agora o BIM. Só consegui isso pela dedicação e amor pela música de nossos parceiros.

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