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"É bom que você entenda que arte - e aqui me refiro especificamente à música - não é uma questão de gosto. Temos de exercitar nossa compreensão, ou seja, é preciso que nosso entendimento emocional seja bem desenvolvido, através da nossa sensibilidade"

Olmir Stocker "Alemão"

Airto Moreira. Por Filó Machado

Já em 1992, morando em Paris, pela primeira vez tive um encontro com Airto Moreira e Flora Purim, embora ambos já tivessem registrado minhas obras, até então, não nos conhecíamos e foi um momento maravilhoso. Eles estavam ensaiando para uma tournèe mundial com Dizzy Gillespie e me apresentaram a ele dizendo...

Crédito foto de capa: Paulo Rapopport

O meu primeiro contato com a carreira de Airto Moreira, deu-se por volta de 1964, quando ouvi pela primeira vez o Lp do Sambalanço Trio cujo os integrantes eram, Cesar Camargo Mariano(Piano Acústico),Humberto Clayber (Baixo Acústico) e o Airto Moreira (Bateria). Naquela época, o Brasil transbordava de Orquestras, Conjuntos, Trios, Grupos vocais, Cantores e Cantoras e todos entretinham da forma mais linda possível os aficionados ouvintes da boa música brasileira e internacional…

Eu como crooner de baile, começando a estudar o violão, me senti altamente influenciado pela forma eficaz e talentosa de como esses grandes músicos executavam e viviam a música. Ali mesmo comecei através de trocas de informações, ouvir, apreciar e aprender, muito por intermédio deles. É  claro que o Airto sempre estava no rol desses músicos maravilhosos…

Em 1966 já tocando guitarra, eu fazia parte de um grupo de baile chamado “Conjunto Orquestral Icaraí” e num dado momento, na casa de amigos, vi pela TV a apresentação de três músicos maravilhosos e quando fixei o olhar na performance, dei um suspiro de alegria e emoção ao ver Airto Moreira na Bateria e Percussão, Theo de Barros no Violão e Baixo Acústico e Heraldo do Monte no Violão e Viola…aquilo foi um primor, uma maravilha de som, com uma energia linda. Um ano depois, com a entrada de Hermeto Paschoal, tive o prazer e a emoção de apreciar esses 4 músicos com o nome de “Quarteto Novo” , arrebatarem o primeiro lugar, num dos maiores e melhores festivais que já ocorreram na música Popular brasileira, ali estavam eles, dando o suporte harmônico e rítmico para o  Edu Lobo e Marilia Medalha  na música “Ponteio” de Edu Lobo e Capinam.

Foi a primeira vez que vi um percussionista tocando uma queixada de burro, instrumento esse que viera a ser muito utilizado pelos melhores percussionistas do mundo e isso começou a ser popularizado e difundido através  das mãos de Airto Moreira.

A partir de 1970 começa uma nova era pra esse talentoso baterista, percussionista e compositor. Com a  ida de mala e cuia para os Estados Unidos da América, Airto Moreira se engaja no rol dos melhores músicos do planeta e eu pude ouvi-lo numa sequência enorme de gravações ao lado de Miles Davis, George Benson, Joe Farrel, Herbie Hancock, Chick Corea, Freddie Hubbard entre outros. Ao mesmo tempo, Airto segue uma carreira solo, fazendo inúmeros trabalhos maravilhosos ao lado de Flora Purim sua esposa e musa inspiradora, basta seguir sua vasta discografia, algo que venho fazendo há vários anos. Entre 1985 e 1990 tive a honra e o privilégio de ter minhas composições :

Jogral (Filó Machado/José Neto/Djavan) Perfume de Cebola (Filó Machado/Cacaso) Rainha da Noite (Filó Machado/Judith de Souza), gravadas por Airto Moreira e Flora Purim.

Já em 1992, morando em Paris, pela primeira vez tive um encontro com Airto Moreira e Flora Purim, embora ambos já tivessem registrado minhas obras, até então, não nos conhecíamos e foi um momento maravilhoso. Eles estavam ensaiando para uma tournèe mundial com Dizzy Gillespie e me apresentaram a ele dizendo,

“Dizzy esse aqui é o Filó Machado cantor e compositor brasileiro” e o Dizzy respondeu, “que legal, toque uma composição sua” eu toquei, ele se encantou e disse “venha participar do grupo vamos fazer uma tournèe mundial.”

Naquele momento, minha felicidade foi às alturas, imaginem só!!!

Danilo Peres (piano) Ignácio Berroa (bateria) Claudio Roditi (trumpete) Airto Moreira(percussão) Flora Purim e Miriam Makeba(vozes)

mas para minha tristeza, Dizzy Giellespie veio a falecer um pouco depois daquele convite…

Com a saída forçada dos Estados Unidos, Flora retornou ao Brasil para viver em Curitiba e logo em seguida, Airto Moreira também retornou trazendo na bagagem uma infinidade de bons conceitos e valores artísticos acima da média.

Em 2018 tivemos um encontro maravilhoso, onde falamos de muitas idas e vindas da Musica Popular Brasileira no conceito nacional e mundial É muito interessante poder trocar figurinhas com um artista mundialmente conhecido, que fala de música num patamar altíssimo, com uma simplicidade e humildade fora do normal…hoje em dia, nós os músicos, os admiradores, colecionadores, jornalistas, críticos e mesmo os que não entendem nada e fingem entender, nós nos rendemos todos a esse artista fabuloso e ser humano lindo dentro da mais bela sinceridade…

Saúde, Paz, Lindos Sons e Muito Sucesso querido Airto Moreira

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Filó Machado

Filó Machado

Filó Machado é cantor, compositor, multi-instrumentista, arranjador e produtor. Com mais de 50 anos de carreira, 13 CDs gravados e 1 indicação ao Gammy Latin Jazz, recebe o merecido título de "mestre da música". Entre discos e palcos, realizou trabalhos com nomes como: Michel Legrand, Jon Hendricks, Silvain Luc, Dory Caymmi, Gal Costa, João Donato, Raul de Souza, Kenny Barron, Joyce Moreno, Arismar do Espírito Santo, Leny Andrade, Os Cariocas, Tetsuo Sakurai, Hermeto Paschoal, Andreas Oberg, John Patitucci, Cesar Camargo Mariano, Djavan, Jorge Vercillo, Rosa Passos, SWR Big Band Stuttgard, Warvey Waynapel, entre outros.

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