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"É bom que você entenda que arte - e aqui me refiro especificamente à música - não é uma questão de gosto. Temos de exercitar nossa compreensão, ou seja, é preciso que nosso entendimento emocional seja bem desenvolvido, através da nossa sensibilidade"

Olmir Stocker "Alemão"

Jobim, por Mario Adnet

A primeira vez que ouvi Tom Jobim foi através do violão do Baden Powell. Garota de Ipanema pra ser mais preciso. Foi também a primeira música que aprendi a tocar, aos 9 anos, com meu primeiro professor de violão.

A primeira vez que ouvi Tom Jobim foi através do violão do Baden Powell. Garota de Ipanema pra ser mais preciso. Foi também a primeira música que aprendi a tocar, aos 9 anos, com meu primeiro professor de violão. Daí em diante a música de Tom não poderia mais faltar.

Com o tempo fui me interessando por sua “árvore genealógica musical” e daí também não poderiam mais faltar Villa-Lobos, Chopin, Debussy, Ravel, Gershwin, Stravinsky e tantos outros, que fui descobrindo já nos meus primórdios de compositor.

Qualquer compositor, mesmo o mais original e talentoso, sempre tem a referência de seus ídolos ao longo da busca de sua identidade própria. Essa marca registrada, que é o resultado da combinação de suas escolhas musicais, acaba acontecendo naturalmente depois de muito estudo e experimentação, depois de muita complicação e descomplicação. No caso de Tom não foi diferente.

Quando ele começou a fazer sucesso, na época da Bossa Nova, foi bombardeado pelos críticos, acusado de americanista e também de plagiar obras alheias. Na verdade ele sempre homenageou seus ídolos com uma competência e elegância que só um grande músico é capaz de fazê-lo.

Jobim homenageia Debussy e Villa-Lobos em Chovendo na Roseira

citando trechos de Reverie, as famosas terças de La Plus Que Lente e uma frase da letra da Seresta nº 9 (Abril) de Villa-Lobos e Ribeiro Couto.

Em Insensatez o homenageado é Chopin. Chansong é uma clara homenagem a Gershwin e seu Um Americano em Paris. Canta Canta Mais tem ligações estreitas com a ária da Bachiana nº 5 de Villa. Várias lembram Stravinsky. Se olharmos só para Villa-Lobos, as homenagens são inúmeras.

” É curioso de observar certas preferências dos músicos… Chopin adorava Mozart…Debussy adorava  Chopin…; Stravinsky voltando a Haydn… e Villa-Lobos no Brasil afirmando, como  pessoalmente me fez a mim, o seu culto por Mozart, e descobrindo recentemente parecenças entre Bach e a música popular brasileira.”( Pequena História da Música,  Mario de Andrade,  pag.146).

Conheci o Tom pessoalmente em 1978, minhas pernas tremeram quando ele abriu a porta de sua casa de pijama abraçado a um violão. Foi inesquecível ouvir a gravação recém feita de Two Kites, antes de o disco sair no ano seguinte (Terra Brasilis).

Só fui ter um contato musical pra valer com ele a partir de 1990, quando minha irmã Maucha, que fez parte da Banda Nova, levou do Rio pra Nova Iorque uma cassete demo, que eu havia gravado recentemente, pra ele ouvir. Nesse tempo ele passava metade do ano lá e outra metade aqui. Nessa fita tinha, entre as minhas músicas, um arranjo que fiz para Maracangalha, de Dorival Caymmi. Ele se encantou com o arranjo e nunca devolveu a fita…

Mario Adnet:
facebook.com/marioadnet Ouça: soundcloud.com/marioadnet
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Mario Adnet

Mario Adnet

Mario Adnet é compositor, arranjador, violonista e produtor carioca. Ao longo de 39 anos, vem se dedicando à composição, e também à pesquisa, recuperação e ao registro fonográfico de obras de grandes compositores da música brasileira, tendo produzido cerca de 30 discos entre registros antológicos, além de programas de rádio, songbooks, matérias para o jornal O Globo e também shows e concertos com orquestras sinfônicas e de sopros. Tom Jobim gravou seu arranjo de Maracangalha no derradeiro Antonio Brasileiro (1994)

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