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"É bom que você entenda que arte - e aqui me refiro especificamente à música - não é uma questão de gosto. Temos de exercitar nossa compreensão, ou seja, é preciso que nosso entendimento emocional seja bem desenvolvido, através da nossa sensibilidade"

Olmir Stocker "Alemão"

A Batucada Fantástica de Luciano Perrone

Luciano Perrone, (1908-2001) nascido no Rio de Janeiro, com 14 anos de idade já se apresentava no Cinema Odeon com caixa clara sobre uma cadeira, prato pendurado e bumbo sem pedal, isso mesmo!

Uma noite memorável em março de 1990, no Teatro Guaira (Curitiba), o palco do grande auditório teve a honra de receber um concerto único com a ”Orquestra de Câmara de Curitiba”, tendo como solistas o pianista Arthur Moreira Lima que por sua vez, convidou um precursor da bateria no Brasil: Luciano Perrone, para uma participação juntamente com a Escola de Samba paranaense Mocidade Azul. Perrone trouxe na bagagem a sua bateria original, o instrumento que o acompanhou por toda sua carreira, conduzindo os integrantes da escola de samba e relembrando momentos das suas batucadas fantásticas, que comento aqui com muita emoção.

“O Samba com Luciano” música de Luis Bandeira para Luciano Perrone, canção onde letra e solos de bateria se revezam, mostrando um pouco da história deste grande nome da bateria brasileira.

Luciano Perrone, (1908-2001) nascido no Rio de Janeiro, com 14 anos de idade já se apresentava no Cinema Odeon com caixa clara sobre uma cadeira, prato pendurado e bumbo sem pedal, isso mesmo! Antes da invenção do pedal de bumbo por Willian F. Ludwig chegar ao Brasil. Na era das ”big-bands”, Luciano começa juntamente com outros bateristas da mesma época as adaptações dos ritmos brasileiros para bateria, pois até então o repertório nos bailes era basicamente de música americana, etc. Opa! chega a bateria no Brasil!! Em 1924, com o pianista Osvaldo Cardoso Menezes se apresenta em cinemas e teatros do RJ, passando a ser reconhecido e aclamado por várias orquestras. Em um disco da Orchestra Pan American (RJ), lançado pela Odeon, gravou pela primeira vez no Brasil, com caixa clara sem esteira…

O maestro Radamés Gnattali (com quem Luciano tocou desde 1929), dedicou posteriormente composições a ele com solos especiais: “Samba em três andamentos” e “Bate-papo a três vozes”. Em 1936, Luciano passou a ser músico efetivo da Rádio Nacional do RJ, que naqueles tempos foi um importante meio de comunicação e divulgação da música brasileira.

Nos links abaixo, na integra o disco ”Radamés na Europa com seu Sexteto” (1960) formado por Radamés Gnattali (piano e arranjos), Aída Gnattali (piano) Edu da Gaita (harmônica), Chiquinho do Acordeon (acordeon), Luiz Bandeira (voz), Zé Menezes (guitarra), Pedro Vidal Ramos (contrabaixo), Luciano Perrone (bateria/percussão) também lançado pela gravadora Odeon, onde na primeira faixa temos a clássica ”Aquarela do Brasil” que Perrone gravou a bateria originalmente na interpretação de Francisco Alves em 1939… com a Orquestra de Radamés Gnattali.



Radamés na Europa com seu Sexteto (1960) Radamés Gnattali Sexteto ‎
Aquarela do Brasil – Francisco Alves 1939



Quinteto Radamés Gnattali 1985

Quinteto Radamés Gnatalli ( TVE 1986 )

Em 1960, na Europa, Luciano se apresentou em Portugal, Itália, Inglaterra e França com Radamés e Aída Gnattali, Edu da Gaita, Chiquinho do Acordeon, José Menezes, Vidal e Luis Bandeira integrando a 3ª Caravana Oficial da Música Brasileira. (quero pesquisar sobre as outras duas caravanas). Quando Perrone completou 25 anos de atuação na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, transferiu-se para a Rádio Ministério da Educação e Cultura, inaugurando a Orquestra Sinfônica Nacional como timpanista.

Também na década de 60, lançou pela Musidisc o LP ”Luciano Perrone e Seus Ritmistas Brasileiros – Batucada Fantástica”, incluindo diversos ritmos brasileiros com instrumentos de percussão e adaptações para bateria, este álbum editado na França, foi contemplado anos depois com o “Grande Prêmio Internacional do Disco”, pela Academia Charles Cros de Paris. Em 1972, gravou o LP “Batucada Fantástica, Volume 3”. (estou na busca do misterioso Vol 2, até hoje! rs) Nos links abaixo, faixas dos 2 álbuns, incluindo as consagradas: ”Samba Vocalizado” e ”Samba Cruzado”

Luciano Perrone E Ritmistas Brasileiros (Brasil, 1962) – Batucada Fantástica
Luciano Perrone E Seus Ritmistas Brasileiros – Samba Vocalizado – 1972
Samba cruzado – Luciano Perrone

Perrone dizia, incentivando:

”não quero ser comparado aos bateristas americanos, meu negócio são os ritmos do Brasil e se você gosta do meu estilo, procure desenvolver algo original a partir dele” um belo exemplo disso foi o desenvolvimento de uma técnica para ”samba com pedal duplo” pelo baterista Oscar Bolão, muito interessante as figuras rítmicas dos surdos do samba no bumbo, veja abaixo!

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Johnny Dionysio

Johnny Dionysio

Músico, nascido em Curitiba, Paraná. Teve seu primeiro contato com a percussão aos cinco anos de idade, em fanfarras nos tempos de colégio. Em sua formação cursou: teoria musical, bateria, guitarra, percussão sinfônica, prática de banda e orquestra com Paulo Bettega, Azael Rodrigues, Belmiro Jorge, Grupo Pau Brasil, Carmo Bartoloni, Grupo de Percussão da Embap, Ney Rosauro, Nenê, Roberto Gnatalli e Orquestra de Mpb, além de clínicas e cursos com Jimmy Duchowny, Gregg Bissonette, Duda Neves, Joe Moghrabi, Rod Morgenstein, Zé Eduardo Nazário, Kenny Aronoff, André Christovam, Kenwood Dennard e Scott Henderson.

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