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"É bom que você entenda que arte - e aqui me refiro especificamente à música - não é uma questão de gosto. Temos de exercitar nossa compreensão, ou seja, é preciso que nosso entendimento emocional seja bem desenvolvido, através da nossa sensibilidade"

Olmir Stocker "Alemão"

Discos de cabeceira:Tom Waits “One from the Heart”

Trilha sonora do filme “ From the Heart “ (Do Fundo do Coração) de 1982 de Francis Ford Coppola.

 

Trilha sonora do filme “ From the Heart “ (Do Fundo do Coração) de 1982 de Francis Ford Coppola. Ambientado numa paisagem urbana artificial, cercada de néons, onde os personagens buscam redenção em meio a superficialidade ao redor ,tem Nastassja Kinski, que já valeria uma passada na locadora ( ainda existem?) e tem também Raul Julia, mas o espaço aqui é para falar de música.

 

O disco é um Duo com Crystal Gayle, melhor, é uma conversa de bar entre um homem e uma garota,um bálsamo para os bêbados, perdedores , solitários e outras criaturas da noite, todo mundo já transitou por essas vias ao menos uma vez. Crystal não foi a primeira opção de Coppola, ele havia ouvido um dueto que Tom Waits  havia feito com Bette Midler “I Never Talk to Strangers,” mas não deu certo com ela. Crystal foi uma escolha de Tom Waits.

Na minha cabeça, o cenário é um Honky Tonk em algum lugar de New Orleans, ouve-se um estampido seco, “ Pá ”,  a trilha se desenrola ao som dos estalos dos dedos,entram em cena o órgão de Ronnie Barron e a linha do baixo de Greg Cohen’s. A trama está formada.

A voz de Tom Waits  é quase um sussurro, canta  como se estivesse sobre uma fina camada de um lago congelado, vai com cuidado, na malícia e  sabemos que a voz dele,quando quer, pode soar tão gutural quanto um bugio.

O órgão é o destaque da faixa, faz dois solos, um interlúdio entre os blocos da letra e outro no final. Tom Waits sempre mostrou  interesse  por engenhocas de teclas, empregou *diferentes tipos ao longo de sua obra, como o bizarro Calliope, instrumento do século XIX, que funcionava com vapor ou ar comprimido e produzia aquele som típico dos Circos Tradicionais. Aqui, acredito eu, usou o polivalente Hammond.

Little Blues Boy ao contrário da sequência do álbum, seria para mim a primeira faixa, uma boa introdução para uma trilha sonora que casou muito bem com o filme, virou Cult.

No solo final , Ronnie Barron  deixa um acorde gritando nos registros altos e sobrepõe outras  notas para deixar tudo soar junto, depois saca uns  graves que o ouvinte tem que matar no peito e  termina atacando o teclado com fúria, onde é possível ouvir o som do impacto dos dedos nas teclas e elas raspando umas nas outras. Que timbres esse instrumento proporciona, que diferença do sintetizador datado dos anos 80!

 

Curiosidade:

Tipos de orgãos usados nos discos de Tom Waits:  Calliope,  Celeste,  Chamberlin, Farfisa,  Harmonium,  Leslie Bass Pedals,  Mellotron,  Optigan,  Pump Organ (Reed Organ), uma verdadeira fissura por teclas !

Saiba mais aqui:http://www.tomwaitsfan.com/tom%20waits%20library/www.tomwaitslibrary.com/keyboardinstruments.html

 

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João Carlos Fávaro

João Carlos Fávaro

Produtor Executivo (BIM – Vinil Review – Na Agulha do Vinil) Dos meus discos de Vinil acumulados em muitos anos de garimpagem em lojas, feiras e recentemente pela internet e acreditar no poder transformador da música, é que resolvi criar esse projeto de divulgação e valorização da música e de quem faz a música. Atrás de um grande álbum tem toda uma história de dedicação de pessoas. Do músico que passou anos se dedicando ao seu instrumento, do Produtor, do Engº de som, enfim.... teve a contribuição de muita gente. Comecei com uma ideia e a disposição de tirá-la do papel, daí surgiram os projetos Vinil Review de qual sou cofundador, Na Agulhado Vinil e agora o BIM. Só consegui isso pela dedicação e amor pela música de nossos parceiros.

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