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"É bom que você entenda que arte - e aqui me refiro especificamente à música - não é uma questão de gosto. Temos de exercitar nossa compreensão, ou seja, é preciso que nosso entendimento emocional seja bem desenvolvido, através da nossa sensibilidade"

Olmir Stocker "Alemão"

Discos de cabeceira: Lenny Breau ” Quietude”

“If you could see me now” termina com uma cascata de harmônicos como em um angelical som de harpa. Maravilhoso!

Esse disco foi gravado em Toronto, no clube de Jazz Bourbon Street, em 1983. Digo gravado pois se esse registro chegou até nós foi por puro acaso. Não havia nada arranjado para gravar os concertos, mas no dia, um produtor que tinha um programa na rádio local chegou com um gravador digital e pediu permissão para gravar, os músicos assentiram com a condição de ficarem com as fitas. No dia seguinte, o produtor Ted O’Reilly notou que um funcionário havia apagado a gravação, então só restaram as fitas de rolo! Um ano após essas apresentações, Lenny Breau viria a falecer em circunstâncias misteriosas afogado na piscina do hotel que estava hospedado. Esse registro captura o artista em seu auge.

Dessa sessão foram lançados dois álbuns ”Quietute” que contém a faixa escolhida e ”Legacy” (esses dois álbuns foram lançados em um CD duplo chamado “Live On Bourbon Street”).  LB era um artista que escolheu a guitarra como um meio para se expressar, nessa apresentação ele utilizou sua guitarra de 7 cordas encomendada ao Luthier *Kirk Sand, que também tinha como cliente Chet Atkins.

Logo no princípio da música já se nota o som limpo e cristalino do timbre da guitarra, LB abordava o instrumento como se fosse um piano, Bill Evans foi sua maior influência. Ao longo dos anos ele desenvolveu uma técnica apurada onde tocava a melodia e fazia o acompanhamento ao mesmo tempo, para os não avisados, causava a impressão de ter mais uma guitarra tocando ou 2 guitarras gravadas, não era o caso.

A naturalidade de seu toque, encobre a grande dificuldade técnica da execução.

A música segue intimista, num clima de serena melancolia e pelos aplausos no final pode-se concluir que só uma pequena e sortuda plateia estavam presentes. A interação do baixo de Dave Young e LB mostra como ambos se conheciam bem, o modo de tocar de cada um realçava os pontos fortes do outro. Conhecendo a trajetória de Lenny Breau e o próprio depoimento de Dave Young sobre esse encontro, havia muito mais espontaneidade do que coisas ensaiadas nesse show.Em seu solo, LB utilizou muito de sua técnica de harmônicos, que dominava como nenhum outro. Pat Metheny disse uma vez, ” todo mundo pode tocar harmônicos mas LB podia fazer isso por dias. ”  Além da dificuldade de execução, essa técnica também virou algo muito pessoal, uma marca, um traço da voz de LB.

“If you could see me now” termina com uma cascata de harmônicos como em um angelical som de harpa. Maravilhoso!

Diferente de guitarristas de Jazz como Wes Montgomery e Django Reinhardt que deixaram um legado para outras gerações de músicos, LB até o momento permanece restrito a um círculo reduzido de músicos e ouvintes, apesar de sua grande qualidade artística e técnica, seu toque refinado, a obra de Lenny Breau carece de mais atenção do público.

 

Recomendações:

The Genius of Lenny Breau: documentário produzido por sua filha, Emily Hughes.Se prestar atenção nos músicos que deixaram seu depoimento, a importância de LB ficará mais evidente.

Dave Young: Artigo escrito por Rosaura Paz sobre o encontro do Baixista com Luiz Chaves.

One Long Tune : Livro sobre a vida e obra de Lenny Breau

Até a próxima !

 


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João Carlos Fávaro

João Carlos Fávaro

Produtor Executivo (BIM – Vinil Review – Na Agulha do Vinil) Dos meus discos de Vinil acumulados em muitos anos de garimpagem em lojas, feiras e recentemente pela internet e acreditar no poder transformador da música, é que resolvi criar esse projeto de divulgação e valorização da música e de quem faz a música. Atrás de um grande álbum tem toda uma história de dedicação de pessoas. Do músico que passou anos se dedicando ao seu instrumento, do Produtor, do Engº de som, enfim.... teve a contribuição de muita gente. Comecei com uma ideia e a disposição de tirá-la do papel, daí surgiram os projetos Vinil Review de qual sou cofundador, Na Agulhado Vinil e agora o BIM. Só consegui isso pela dedicação e amor pela música de nossos parceiros.

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