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"É bom que você entenda que arte - e aqui me refiro especificamente à música - não é uma questão de gosto. Temos de exercitar nossa compreensão, ou seja, é preciso que nosso entendimento emocional seja bem desenvolvido, através da nossa sensibilidade"

Olmir Stocker "Alemão"

Discos de Cabeceira: Miles Davis “The Man With The Horn”

Ao fim da música, de forma quase inaudível, Miles fala com sua voz rouca: Try that !

Começo ouvindo a música balançando a cabeça ao som do 77’ JazzBass de Marcus Miller, tenho a impressão que as notas caminham sorrateiras na ponta dos pés aguardando a entrada do trompete, que dialoga com a guitarra, numa conversa informal, descontraída, até mesmo maliciosa.

A música segue swingando, sem pressa, ganhando força aos poucos, como aquele amplificador valvulado rompendo o som limpo e chegando ao “Sweet Spot”, esse momento chega com o solo de guitarra.

Convém parar um momento e contar um pouco dessa nova fase da carreira do Miles, que há 5 anos não pegava no instrumento, esse disco marcou o seu retorno aos palcos e estúdio, fez seu “Comeback” comprando uma Ferrari GTSI amarelo canário e reuniu um time de jovens músicos de primeira linha, esse era outro talento do Miles, sempre escolheu bem o seu time, fez isso nos quintetos dos anos 50’ e 60’, agora não foi diferente.

 

*Mike”fat time” Stern é o guitarrista nessa faixa, o som distorcido de sua strato é cru , é um solo de Rock furioso, com “String Bending”, cromatismos e dissonância, que incendeia a música por quase 3 minutos, o pico chega quando Marcus Miller e Al Foster entram literalmente no solo colocando mais lenha na fogueira  e sustentando os ataques da guitarra.

Esse solo já contém muitos elementos do que seria o “som” do Mike Stern em seus trabalhos posteriores. Mike foi uma indicação do saxofonista Bill Evans, que deu uma valiosa dica ao amigo antes da sessão de gravação: “Não seja muito educado, toque com energia!”, por sinal essa música foi gravada ao vivo no estúdio.Depois do primeiro “Take”, Mike achava que poderia fazer melhor. Miles Davis que valorizava a espontaneidade disse: “Se você trabalha muito na busca da perfeição você pode perder a alma da música”.

Depois que ouvi esse solo passei a comprar tudo que tinha disponível desse guitarrista.

Ao fim da música, de forma quase inaudível, Miles fala com sua voz rouca: Try that !

E assim termino, Try That!

 
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João Carlos Fávaro

João Carlos Fávaro

Produtor Executivo (BIM – Vinil Review – Na Agulha do Vinil) Dos meus discos de Vinil acumulados em muitos anos de garimpagem em lojas, feiras e recentemente pela internet e acreditar no poder transformador da música, é que resolvi criar esse projeto de divulgação e valorização da música e de quem faz a música. Atrás de um grande álbum tem toda uma história de dedicação de pessoas. Do músico que passou anos se dedicando ao seu instrumento, do Produtor, do Engº de som, enfim.... teve a contribuição de muita gente. Comecei com uma ideia e a disposição de tirá-la do papel, daí surgiram os projetos Vinil Review de qual sou cofundador, Na Agulhado Vinil e agora o BIM. Só consegui isso pela dedicação e amor pela música de nossos parceiros.

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