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"É bom que você entenda que arte - e aqui me refiro especificamente à música - não é uma questão de gosto. Temos de exercitar nossa compreensão, ou seja, é preciso que nosso entendimento emocional seja bem desenvolvido, através da nossa sensibilidade"

Olmir Stocker "Alemão"

Discos de cabeceira: Mahavishnu Orchestra “Birds of Fire”

Enfim, imaginem o susto que tomei assistindo sem conhecer ao lançamento do LP “Birds of Fire”.

Em 1973, participei do grupo Teatro Oficina do Festival Mundial de Teatro em Nancy, França. Viajamos durante 6 meses nos apresentando por países da Europa e, em Munique, estávamos hospedados na casa de um médico que apareceu com convites para um show de uma banda que eu não conhecia, a Mahavishnu Orchestra.

Meu conhecimento na época abordava o rock do Led Zeppelin, o experimentalismo do Hermeto Pascoal, o Jazz de Miles Davis. A informação não tinha as facilidades dos dias de hoje com o Youtube, por exemplo. Era na base de LPs que a gente se informava e ficava por dentro das novidades. Enfim, imaginem o susto que tomei assistindo sem conhecer ao lançamento do LP “Birds of Fire”. Fiquei em transe, sem palavras. Foi uma cacetada na minha cabeça.  Jazz-Rock, com composições diferentes, usando fórmulas de compassos nunca antes ouvidas nessa linguagem.

Na hora deixei-me envolver, flutuar na contemplação auditiva, com o som me fazendo viajar por lugares nunca antes explorados na minha mente. Repito, foi uma “cacetada”, rs. O lugar, um ginásio circular com 2 mil pessoas em contato com o Divino, som quadrifônico, uma novidade na época, demais de bom. E quem era aquele baterista quebrando tudo? Mas quebrando tudo meeesmo. Uma bateria enorme, transparente, de acrílico, Fibes, que mudava de cor com os canhões de luz, uma prataria enorme, com diversos timbres maravilhosos. Who? Mr. Billy Cobham. Em termos de linguagem, Mr. Cobham é responsável por um novo caminho na História da Bateria.

Uma nova concepção, fruto de uma época de transformações do mundo da Música. Procurem ver sua biografia e vejam o quanto de Música ele viveu, quanta experiência que ele sorveu e colocou para fora. Depois de algum tempo, com calma, procurei decifrar os compassos das composições incríveis de John Maclaughlin e, essa que seleciono para o Vinil Review, é “Celestial Terrestrial Commuters“ do trabalho Birds of Fire. Escutem. É um compasso de 4/4 + um compasso de 3/16 ou, para os mais “arrojados”, um compasso de 19/16,

Depois do show, saí flutuando, nas nuvens, uma sensação maravilhosa e adquiri o vinil recém lançado da banda. No caminho de casa, avistei colado em um muro, o cartaz do show. Fiquei ali, descolando o cartaz da parede por mais de uma hora e guardo esse poster desde então como um fetiche, uma representação para lembrar para sempre desse dia.

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Duda Neves

Duda Neves

Nascido Eduardo Augusto Neves, em 5 de Novembro de 1953 em São Paulo, Capital, é reconhecido pela crítica especializada e pelo público em geral, como um de nossos melhores instrumentistas. A revista francesa “Jazz Hot” o apontou em 1990 como um dos melhores bateristas de Jazz do mundo e a revista “Bizz” como um de nossos melhores bateristas. Toca Bateria profissionalmente desde os 12 anos de idade já tendo trabalhado com Simone, Belchior, Fábio Jr., Jorge Benjor, Tetê Espíndola, Tim Maia, João Donato, Edu Lobo, Arrigo Barnabé entre outros. Morou em Nova York nos Estados Unidos na década de 80 onde tocou com grandes nomes do Jazz como Charlie Rouse, Don Salvador, Dom Um Romão, Nana Vasconcelos, Raul de Souza, Guilherme Vergueiro, Márcio Montarroyos, entre outros.

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